sexta-feira, 26 de junho de 2020

Tecnologia que mata

Diante de uma situação terrivelmente assustadora para uns e, infelizmente, divertida para outros tantos, que desdenham de um dos piores momentos na historia recente do país, fomos obrigados a fazer uso de ferramentas pouco ou totalmente desconhecidas por grande parte das pessoas.

O tão falado home Office tem pregado muitas peças em grande parte de seus utilizadores, mesmo entre os jovens, alguns se esquecem de desligar o audio da câmera, outros o vídeo, e os que não utilizam vídeo conferencia, da mesma forma enfrentam dificuldades tecnológicas. Ao acompanhar as sessões das câmaras municipais e aulas online país a fora, pude ver ações bizarras, para dizer o mínimo. São deputados deitados ainda de pijama, professores em aulas coletivas que aparecem seminus, entre tantos casos mais leves e outros mais agressivos.

Fato é que ninguém e obrigado a, de uma hora para outra, tornar-se mestres em tecnologia, porém não custa muito ler, assistir a tutoriais e no mínimo ficar atento ao trabalho que está sendo desenvolvido e ao decoro.

Na ultima terça-feira 23 ,em Bragança Paulista, durante a 21ª sessão ordinária de 2020 em um surto diante dessa tecnologia que mata, após se esquecer de desligar a transmissão do vídeo, o vereador Ditinho Bueno foi visto manuseando e cheirando uma calcinha vermelha, que segundo ele (Ditinho) “recebeu de um amigo, em forma de brincadeira, uma calcinha comestível, produto de um sex shop”. Após o fato ter viralizado nas redes estão acontecendo manifestações publicas invocando o uso do regimento interno para punir o vereador. Sem fazer juízo de valor e focando apenas no que diz respeito ao exercício da função, posso concluir que sendo uma calcinha ou qualquer outro objeto, telefone ou televisão que tire dos vereadores a atenção necessária para a realização do trabalho teria o mesmo peso no caso, infelizmente foi uma calcinha, que em minha opinião não deveria ser considerada tabu nesse período da historia. Não acredito que este acontecimento possa ser usado, não apenas contra o vereador em questão, como também contra qualquer outro para descredibilizar sua atuação enquanto vereador, pois para dizer que um ou outro não deveria estar na função ou que faz um trabalho ruim, é necessário ir a fundo, pelo menos nos últimos quatro anos, para só então realizar o juízo de valor e posso garantir que se fizermos isso uma calcinha no vídeo será o menor problema dessa câmara.

Outro ângulo possível

Após um longo período de quarentena, que nos obrigou a ficar em casa durante muitos meses, o comercio e locomoção começaram a ser flexibilizados, certo ou errado, no período certo ou não, assim estamos hoje. Em uma loja onde trabalham 25 funcionários, medidas de prevenção rígidas foram impostas.

Qual o motivo de, após a flexibilização da quarentena, ainda termos sessões virtuais?

Será mesmo que uma câmara municipal, que possui bem menos funcionários que uma grande loja, não pode se adequar as medidas de prevenção?

Será que casos como esse, acima citado, aconteceriam em um dia de trabalho normal e presencial?

É fácil julgar, mais fácil ainda é esconder os próprios erros, por não terem sido filmados e atacar de forma covarde, não um vereador, mas um ser humano, com isso não quero eximir de culpa o vereador, quero dizer que o erro, além de falta de conhecimento da tecnologia, é a desatenção o estar presente sem, de fato, estar presente.

Que o caso nos sirva de lição, que fiquemos atentos as nossas obrigações e que nenhum desvio de atenção nos comprometa e nos coloque na mira de línguas tendenciosas, oportunistas e soberbas de pessoas que nunca erram.

Sem mais, foi tão somente engraçado.